terça-feira, 9 de agosto de 2011

O que eu sou.

Eu tenho visto corujas à minha porta, enquanto sabiamente colho maçãs pelas teias de minhas emoções. E tenho reparado no vizinho que sempre se aproxima com o seu jornal do dia anterior trepidando em suas próprias pernas. E vendo tudo isso me apavoro; desespero-me pelo cambalear do velho que à minha porta passa; ele se parece comigo, é o meu espelho refletindo em pleno meio dia, sol rachando meu rosto e outros rostos mais olhando para dentro do ser chamado eu. Isso me tem soado de forma tão absurda e chega a ser vergonhoso ter se despir através do olhar do outro.
E tenho refletido sobre coisas mais e tantas outras que me tem feito uma confusão dos diabos e me falta sustância para escrever sobre o que vejo através dessa janela que me habita. Ah! Tenho enfeitado sua sacada com pedrinhas amareladas, tentando mentir para o velho que a minha porta passa sempre com seu jornal do dia anterior. Eu tenho tentado viver, eu venho tentando sentir.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Hoje, meio sei lá

Eu preciso escrever algo, sei lá, talvez porque seja julho ou porque se aproxime a lua cheia e eu fico besta feito um cachorro doido quando vai à praia...não sei ainda ao certo sobre o que escrever e, entretanto, sinto que preciso desabafar, cuspir, vomitar, jogar pra fora, chutar o balde, quebrar-me por inteira descendo ladeira abaixo. Ai! Como as coisas se chegam a nós, como será que me chego às pessoas?
Eu fico matutando coisas absurdas e o telefone me toca e há sempre alguém do outro lado; existe sempre alguém do outro lado e isso me irrita! Irrita saber que existe mas não se vê. Eu não gosto de ficar treinando danças ao vento! Não! Não gosto!Também não gosto de ser tratada como criança tola mas também forço maturidade e...ai! Caramba! Isso me dói aos bocados porque senão fosse essa maturidade e racionalidade eu já teria pulado! Sim!Teria descido ladeira abaixo.
Acho que já matutei coisas demais e agora é a hora de lembrar que tenho uma água fervendo para um mingau que irei tragar...é meu monótono desfecho para fins de texto; é que ultimamente me falta substância para escrever. De qualquer forma tenho de dizer que é verdade a água fervendo para o tal do mingau...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Conto pela metade

Seria certo dizer-lhe que vi aquele espectro mistificado e adentrando em minha teia de emoções visuais. Visão confusa, estranha, difusa, coisa que nem me lembro mais ao certo do que era... ultrapassou minha pupila, assim como se transpassa a alma alheia no momento do coito. Sentou- a cinco metros à minha frente e vi que pediu um vinho, seguido de duas doses de conhaque; estava em desconsolo, olhos ardentes em si. Eu vi mas o espectro não me viu; isso prolongou sua tristeza. Peço uma taça com vinho português. E a noite apenas começou.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Adeus ao meu singelo sentimento.

A tristeza me afunda a alma
Estou egocentricamente em mim
E de malas prontas rumo ao fundo do meu poço colorido e cheio de flores e...
seco,
sem água.

Talvez já tenha me despido demais em você e agora seja a hora de acordar para torpe realidade
Manhã de dez horas..
É tarde pra mim o seu alvorecer.
São simplesmente onze e onze e o trem se aproxima.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vazio de gestos nossos.

O relógio simetricamente colocado na parede de cor amarela. O lustre impecavelmente limpo, reluzindo, ofuscando meu olhar de peixe morto. Cada móvel me olhava, cada móvel expressava sua gélida existência. Dia chuvoso.

Nas noites de lua cheia o pensamento deixa ser acalentado pela vulnerabilidade; já em dias chuvosos a maldita inquietude me apavora, cria realismo em meu ser. Ser íntimo, ser eu. E então para me redimir do meu momento de dispersão, cravo meus olhos num quadro, obra de arte dependurada na parede amarela, amarelada.

Coloquei-me a olhar para os olhares que se escondiam. Naquela tela de arte uma atmosfera atrativamente excitante e que me incomodava aberrantemente. Passei uns três dias (e noites talvez) a sentir que palavras queriam ser escritas, cuspidas, enfim... queriam existir para fora do meu eu. Coisa essa que me tirou o sono.

Uma luta! Isso! Seria uma luta contra eu mesma! É. Uma luta contra meus próprios olhos. Teria de educá-los, de não ver àqueles olhos com todo o meu coração. Luta suicida, luta sem sangue, coisa que me rasga por dentro, dilacera carne minha, tinge-me de merda, mel e sal, abafa-me a vontade de dar flores, arranca meu jardim pelas raízes.

_ Laura! Menina! Tire esses olhos desse maldito quadro! Parece até querer entrar nele!Passe já para o quarto!

E eu era apenas uma criança tentando entender as coisas do mundo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Monólogo

Não sei o quê as pessoas fizeram de nós... Falo de você e eu, claro! Como assim Bento Bernardo?Como assim?! Arrumando as malas? Vai embora? Vá sim! Pode ir se vestindo, arrancando as minhas tatuagens; bem...na verdade acho que sempre foram suas ou foram se tornando aos poucos...sei lá!Enfim...vai aproveitando minha distração torpe e vai se redimindo? Sim, sempre como você faz, vai se redimindo dos pesos. Imbecil...

Não!Claro que não! Esse você não leva! É meu! Está me ouvindo?Olha pra mim! Olha! Merda de homem resguardado!Olhe ao menos uma vez para estes pequenos olhos...escuta, eu não irei dizer a frase que te perdoa. Até porque... você nada me fez. Nada. Como sempre. Você é sempre calado, inventado por dentro, reinventando-se por dentro e me deixando só, sozinha.

Bento Bernardo beirando as escadas foi-se embora na sombra de minha triste invenção masculina, torta, roxa de saudade.

segunda-feira, 21 de março de 2011

HIPOCRISIA POÉTICA

Como andar pelas ruas e não sentir medo ou curiosidade de conhecer todos aqueles que estão à sua volta?
Como não se intimidar com um olhar desconhecido?
Como deixar-se ?
Como talvez tudo não faça sentido...
Andaremos pois, então, a falar com todos que por nós passam...
Tocaremos com os olhos cada alma...
Tocaremos com os olhos....