Eu tenho visto corujas à minha porta, enquanto sabiamente colho maçãs pelas teias de minhas emoções. E tenho reparado no vizinho que sempre se aproxima com o seu jornal do dia anterior trepidando em suas próprias pernas. E vendo tudo isso me apavoro; desespero-me pelo cambalear do velho que à minha porta passa; ele se parece comigo, é o meu espelho refletindo em pleno meio dia, sol rachando meu rosto e outros rostos mais olhando para dentro do ser chamado eu. Isso me tem soado de forma tão absurda e chega a ser vergonhoso ter se despir através do olhar do outro.
E tenho refletido sobre coisas mais e tantas outras que me tem feito uma confusão dos diabos e me falta sustância para escrever sobre o que vejo através dessa janela que me habita. Ah! Tenho enfeitado sua sacada com pedrinhas amareladas, tentando mentir para o velho que a minha porta passa sempre com seu jornal do dia anterior. Eu tenho tentado viver, eu venho tentando sentir.