O carnaval se passa, as máscaras caem, o dinheiro que havia na poupança se esvaiu em álcool, a mulher descobriu que seu homem é casado com outro, vários fizeram sexo casual e eu? Bem... o carnaval passou por mim e despejou seus licores, vinhos e demais sabores lúdicos. Ressaca pesada sobre meus frágeis ombros monta barraca.
Ah... uma barraca montada sobre a fina areia da praia...tenho ressaca devido ao pequeno peso de minha máscara de carnaval. Desta vez usei uma máscara de material leve, bordada para dentro da pele minha; havia riqueza de detalhes nela. Apenas eu a vi como de fato era: de dentro para fora.
Penso que todas as máscaras de carnaval sejam bordadas para dentro e para fora da pele: para fora qualquer um outro pode costurá-la da maneira que lhe parece aos olhos; para dentro apenas o eu é o costureiro, o criador de uma obra de arte em movimento. Mas acontece que em certo momento o outro e o eu se olham, é um momento raro (talvez o único) e, a bela que lhe aparece aos olhos é vislumbrante, é carne e linha de costura, pode ser uma bailarina ou uma borboleta ou a enfermeira escritora sozinha e triste, pode ser a Maria, a Joana, o João, a Maria João, pode ser um alguém do carnaval, um ninguém, pode ser uma alma apenas coexistindo...
Ah o carnaval! Faz um carnaval em nossas vidas! Modifica, entorta, renova, abriga, permite a fantasia em si toda vestida, costurada de dentro para fora. Existe uma gostosa atmosfera que se entorna feito taça de cristal , que se debruça sobre a dança de rua... há apenas a brincadeira gostosa de deixar que o outro enxergue a sua máscara de fora; querendo na verdade que o outro veja e entenda a máscara que há por dentro das entranhas.
O sono me abate sobre a face; boa noite Armando... irei descosturar-me por dentro e tudo que restará serão cicatrizes.
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