terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Morangos despedaçados

Hoje voltei mais cedo para meu humilde lar; todos os móveis me esperando de forma monótona, chegava a sentir a frieza que habitava por dentro de cada peça que compunha a minha cinza casa de pedras. Triste foi olhar para o céu e perceber a lua...cheia de si e eu vazia. São 19:45 e eu aqui remoendo pedaços de morangos e muita tristeza, tristeza de solidão porque o mundo correndo lá fora e eu aqui presa em meus próprios medos. Ah se pelo menos o Armando aqui estivesse comigo! Até meu gato tem uma vida e...corre lá fora. O que faz esta noite,bom leitor ? Certamente algo interessante, certamente...

De minha humilde janela dá pra ver um casal, um grupo de jovens numa roda de samba, dá pra ver um motel. E eu aqui despedaçando morangos com meus dentes afiados. O lustre acha de me encarar; droga de lustre!Merda de quadro pintado a gotas de tinta vagabunda, presente de um recentido.

Miauuu...
Armando chega, certamente ouviu os meus recentidos gritos e veio a ter piedade de mim. E quanto barulho lá fora! E quanto silêncio em mim.
Você não merece isso! Ou... talvez mereça! (conheçam minha inquietante consciência, cruel e perversa comigo). Mais que diabos essa noite quer fazer de mim?! Fico assim quando a lua está cheia; está bem, está bem! Confesso que pisei em alguns morangos caídos e isso tudo me amarga a fé. Então numa tentativa de recompensá-los (os morangos) catei-os e os acolhi em mim.
Acho que irei me embrenhar no chuveiro, talvez a água me desconstrua faça algo melhor com toda esta matéria morta.



Nenhum comentário:

Postar um comentário