sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mar aberto

A felicidade é como o mar
Maré alta...
Maré baixa...
Vai nos embebecendo aos poucos.

Falarei das baratas...

Vi duas baratas se acasalando (seria a palavra correta?) num canto do meu jardim de casa. Senti inveja, nojo e solidão. Mas todos estes sentimentos logo se esvaíram e deram lugar aos meus pequeninos olhos curiosos e atentos; era a dança do sexo que ocorria à minha frente. As baratas se entrelaçavam de "costas" uma para outra, ou seja, nao se olhavam e, entretanto, provavelmente, uma sentia à outra.

É algo muito complexo de se ver e entender... o arranjo tortuoso, nojento e que me fez pensar nos relacionamentos humanos. Um homem e uma mulher transando ou dois homens, ou duas mulheres transando, fazendo sexo, fazendo amor. Imagino todos estes no jardim de minha casa. Risos. Costumo rir com mais frequência quando estou sozinha e esse é o momento de rir e tomar um chá, a prudência me escapa com o passar dos ponteiros.

Enfim! Vamos imaginar toda este rede de pessoas numa dança de acasalamento; é obra de arte em movimento e que por tantos anos esteve guardada entre quatro paredes, entre olhares. Mas ultimamente o ato sexual tem tomado todos os cantos da casa e das ruas. Está em demasia. Irei matar as baratas, apenas contraste de pensamento e uma pitada de maldade.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Morangos despedaçados

Hoje voltei mais cedo para meu humilde lar; todos os móveis me esperando de forma monótona, chegava a sentir a frieza que habitava por dentro de cada peça que compunha a minha cinza casa de pedras. Triste foi olhar para o céu e perceber a lua...cheia de si e eu vazia. São 19:45 e eu aqui remoendo pedaços de morangos e muita tristeza, tristeza de solidão porque o mundo correndo lá fora e eu aqui presa em meus próprios medos. Ah se pelo menos o Armando aqui estivesse comigo! Até meu gato tem uma vida e...corre lá fora. O que faz esta noite,bom leitor ? Certamente algo interessante, certamente...

De minha humilde janela dá pra ver um casal, um grupo de jovens numa roda de samba, dá pra ver um motel. E eu aqui despedaçando morangos com meus dentes afiados. O lustre acha de me encarar; droga de lustre!Merda de quadro pintado a gotas de tinta vagabunda, presente de um recentido.

Miauuu...
Armando chega, certamente ouviu os meus recentidos gritos e veio a ter piedade de mim. E quanto barulho lá fora! E quanto silêncio em mim.
Você não merece isso! Ou... talvez mereça! (conheçam minha inquietante consciência, cruel e perversa comigo). Mais que diabos essa noite quer fazer de mim?! Fico assim quando a lua está cheia; está bem, está bem! Confesso que pisei em alguns morangos caídos e isso tudo me amarga a fé. Então numa tentativa de recompensá-los (os morangos) catei-os e os acolhi em mim.
Acho que irei me embrenhar no chuveiro, talvez a água me desconstrua faça algo melhor com toda esta matéria morta.



Um momento

Chegou, posou os delicados pés na fina areia da praia; sandálias pretas ao lado de sua sombra esculpida pelo sol e cravada na areia. Resolveu sentar-se para se permitir maior contato com a terra; as ondas quebravam e as espumas feitas por elas tocavam os rosados e delicados dedos de seus pequenos pés.

Lisos fios de cabelo dançavam desarmoniosamente bem: seguindo aos desejos do vento. O sol estava a se pôr e seus raios entrelaçavam-se nos cabelos de cor mel. O silêncio beijava os seus rosados e carnudos lábios e tudo era paz de espírito.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

2011

Leitor... o que esperar deste novo ciclo que se inicia? Acredito que muitos esperem alcançar paz, manter ou ter saúde; um amor, dois, três ou incontáveis... Eu espero ter equilíbrio, quero saúde, uma mente limpa e sadia, evoluir na caminhada pela paz de espírito, quero amor. Eu desejo à todos (e especialmente aos que amo) tudo o que espero para minha pessoa acrescido de mais e mais amor.
Fico a pensar e pensar desgrenhando meus negros fios de cabelo, matutando sobre esta grande festa intitulada Réveillon. Uma grande "jogada" ( se é que me permitem usar este termo) esta questão de um ano novo; grande ideia de quebrar a continuidade da vida, nem que saiba momentaneamente. Sim! digo momentaneamente porque apesar de se visualizar tal quebra de continuidade, as vidas seguem, prosseguem, continuam de forma descontínua e outras tantas páram (ou será que seguem em algum outro lugar?).
Penso que seja uma forma de misturar o real ao abstrato gerando várias obras de arte. Funciona como uma mola dando impulso para que algo se eleve. Os pensamentos se elevam na busca por bons sentimentos, novas vivências.
Então sigamos nesta gostosa aventura por trilhos contínuos entretanto descontínuos visto trajetórias imprevisíveis, cheias de curvas.