domingo, 19 de dezembro de 2010

REDEMOINHOS



Andei a olhar o igual, tentando ultrapassar os seus finos e delicados olhos;tentei tocá-lo mas ainda havia um estranho abismo entre nós e isso nos levou a um vazio de palavras (entendam como quiser o tal do "vazio..."). Estou a deriva num inferno medonho, caloroso e pálido: tenho me olhado no espelho.

Meu gato tentou se matar esta semana, pulou do oitavo andar do meu prédio de lamentações e isso me tem posto a pensar que umas grades de segurança nas janelas de minhas lamentações seria algo beneficente. É que eu me lamento demais e silenciosamente desbravo-me, coisa muito complexa de se explicar mas, admito... não sei me expressar pela boca, apenas pelos dedos que por aqui me levam. Qual foi mesmo o motivo de aqui vir escrever hoje?

Ah! Lembrei-me! Vi o igual,cara a cara, dedos apontando para minha triste face...algo desconcertante entretanto, excitante. Excitante seria a palavra cabível? Acho que sim. Funciona assim: uma taça de vinho do Porto a três passos de uma dama solitária (apesar de cercada por gestos). Vi, cheirei, não toquei; um trio de palavras que se repetem em espirais.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PONTUAÇÕES INCORRETAS

As vezes se tem a impressão vaga de si...
Como um lamento aterrorizante, cravado na alma!
Que sangra e sangra e lentamente se esvai em cinzas.

As vezes inverte-se o olhar para dentro do outro
( ou seria para dentro de si?)
E se descobre um outro olhar, assim..perdido.

As vezes se pontua incorretamente o modo de viver
E se vive mal.

As vezes é só um acontecimento vago e vazio na discórdia das incordialidades
(incordialidades?)

As vezes sou apenas eu ou o outro querendo adentrar na individualidade alheia,
Ou pode ser um banco de areia esculpido numa praia deserta...
Ou....

sábado, 4 de dezembro de 2010

APÁTICA

Algumas palavras em três minutos e...
sempre o meu tempo acaba!
Hora de rever conceitos, roupas velhas, ao avesso.
Hora de ser eu!
ou talvez nunca chegue essa maldita hora, talvez esteja fora dos ponteiros racionais...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

" De repente eu me vi e vi mundo. E entendi: o mundo é sempre dos outros. Nunca meu."
Clarice Lispector

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ela

Vem
Sozinha
Olhando persuasivamente para meus trépidos olhos
Encosta
Esguia
Menina prendada
Cabelos e laços.

Oposta
Vazia
Gostou de mim
Ocorreu um enlaço!

Cabelos negros
Cabelos vermelhos
Fitas vermelhas
Perfume dos seus fios de cabelo.

Sua nuca é adereço para eu me enfeitar
Roçar as unhas e suavemente me embaraçar
Então vem vazia de si
E torna-se cheia de mim!
Te espero.

sábado, 7 de agosto de 2010

Vagos esvaziamentos...

Acordei a ter sensação estranha de...como posso me explicar? A obrigação de ter que acordar e tomar o rumo de palavras sem perspectivas. Acho até chato eu escrever sobre isso mas... como é final de tarde... bate em mim uma nostalgia amargurante, incessante e que me leva a ser completamente intolerante comigo. É sensação de se olhar no espelho e não encontrar nada, absolutamente nada! E mesmo assim as pessoas ainda querem que você encontre o maldito quadro das perspectivas...
Eu ando a ensaiar algumas palavras para me deliberar de certos atos mas confesso que está ficando insuportável ter de arfar sobre a própria merda. Estou disfarçando erroneamente bem! Alguns já conseguem até notar esse meu jeito de ser "resguardada". Não era bem essa palavra, enfim, suponhamos uma ponte. Por qual diabos uma ponte tem de levar a algum lugar? Não poderia ser uma ponte no meio do nada?! Uma ponte corrupta, sem fins.
Eu tenho de me envolver com certas coisas da vida mas...eu não quero !Acho que estou a nutrir um profundo esgoísmo. Eu me devoro o tempo todo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Rabisco

Beco sombrio
Sóbrio e sozinho me vejo
Brincando com minhas tortas linhas de palavras!
E me vejo querendo do bêbado uma flor
E do sóbrio homem de terno e gravata...
quero o doce néctar do álcool.

Extinto

Sentir a arte que nasce e renasce e em meu peito floresce... negra e linda
E que talvez não se expresse na postura corporal e no conhecimento da arte
Que se expresse na alma sendo esta expressão a mais perfeita arte inacabada
Um dom
Uma dádiva.

Sê assim, ímpar quanto qualquer outro
Ter de se esconder por sentir-se estranho e imcompreendido é a mais cruel das dores
Cancelar o prazer e a felicidade da certeza de um sonho de frutos demorados
Mas sobretudo tão esperados e desejados...
É a mais cruel das decisões e a mais terrível covardia.

Desespero-me se paro e penso sobre isso.

Incômodo

Tudo aperta a consciência insana
O medo comprime o perfume da flor
Flor seca
Desespero e dor.

Colher de açúcar e chá
Canela em pó
Dois dados e uma jogada
Só.
sozinha.

E que fez você de minhas poesias?
Poesia trépida
Despida
Oh...monotonia...
Desgraça conhecida
Tristeza!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Água

Velando o barco e a vela do barco
Andando me tardo em meu ser
vendo eu e me dando adeus
solenimente vago em ser
Sendo só
Sendo sol
E me queimando entre brisas
E se esvaindo
em risos prudentes
De ló a ló

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Rimas

VAGO VÃO VOU SENDO EU
VAGO EM VÃO NO VÃ ADEUS
ME VAGO VAZIA
VENTANDO NO VENTO VENDO O RELENTO
E ME TENTO POR DENTRO DO MEU SER.